segunda-feira, 9 de março de 2009

A REALIDADE EM CAXIAS DO SUL 3

Aí vai a terceira parte da reportagem sobre a guerra civil em Caxias do Sul:
UM POVO QUE MORRE, GENTE ESNOBE NÃO SOCORRE

Com uma procura tão grande por esse mercado ilícito, existe como contrapartida uma oferta de proporções iguais, senão maiores. Oferta essa influenciada diretamente pela má distribuição de renda, que leva indivíduos a entrarem para o tráfico de armas, drogas e também para a prostituição, mesmo que nesse último caso haja um forte componente psicológico envolvido.
Os indivíduos envolvidos na Guerra Civil em Caxias do Sul não são somente negros e índios, ou seja, os maiores segregados desde o período da colonização do Brasil. “Quando começou a formação econômica dos grupos que vieram da Itália e da Alemanha para a nossa região, alguns indivíduos se adaptaram a forma de domínio e exploração que era aplicada na época da escravidão”, relata Charles. Assim, alguns indivíduos se destacaram explorando os companheiros do mesmo grupo étnico.
Hoje os indivíduos segregados, vítimas da Guerra Civil, são provenientes de diversas etnias, não somente negros e índios, mas brancos também. “São habitantes provenientes de alguma região do Rio Grande do Sul, em sua maioria. No máximo de Santa Catarina”, define ele.
Mas qual o motivo da vinda desses indivíduos para Caxias do Sul? “Tudo começou na década de 1980, quando as indústrias de Caxias resolveram procurar reserva de mão de obra. Mão de obra explorada, sem vínculo empregatício, contrato de 90 dias de trabalho, e essas pessoas acabaram ficando na cidade e dando origem a uma urbanização desorganizada”, relembra Kieling.

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