A DROGA QUE SE USA É BATIZADA COM SANGUE, É MAIS FINANCIAMENTO, MAIS ARMAS, BANG, BANG
Tudo isso fica comprovado através de pesquisas realizadas pelo Prof. MSc. Charles Kieling, em parceria com a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG). Elas foram feitas com o intuito de identificar os focos de violência em Caxias e achar uma solução para os mesmos.
O primeiro desses estudos é uma pesquisa desenvolvida com quarenta (40) adolescentes internos no Centro de Atendimento Sócio-Educativo de Caxias do Sul, no ano de 2005. “Trata-se uma análise quantitativa, através da qual se pode definir o perfil de quem vive a criminalidade em Caxias”, relata Kieling. Todos os jovens entrevistados cometeram homicídios relacionados com o tráfico de drogas.
Com base nos dados podemos definir o perfil desse jovem infrator como pertencente à etnia branca, solteiro, sem filhos, não participava de associação cultural, nem filantrópica. Possui casa própria, residia em bairro de classe baixa. É católico possuía renda mensal de um salário mínimo e trabalhava sem vinculo empregatício. É natural de Caxias do Sul. Cursava a 7ª série em alguma escola do bairro onde morava. Apresentava freqüência escolar, possui ensino fundamental incompleto. Atualmente sua idade é de 17 anos.
Sua idade na época do crime é de 15 anos. Ele estava acompanhado de um amigo maior, utilizou arma de fogo emprestada por um amigo, não conhecia a vítima e foi somente ele que planejou o ato infracional. Cometeu o crime na região central de Caxias. O delito foi cometido durante a noite, sem contato físico. Nenhum objeto material foi subtraído, sendo que o crime visava acertos pessoais. Não estava sob efeito de drogas, apesar de fumar cigarro e maconha desde os 13, 14 anos. Os pais ou responsáveis sabiam do vício.
O pai desse jovem infrator apresenta-se ausente da vida do filho. Isso fica evidente, pois a maioria das questões ou o jovem não sabia, ou não respondeu. O pouco que se sabe sobre o pai desse jovem é que ele possui o ensino fundamental incompleto, ganha de dois a três salários mínimos, vive com a companheira, não possui antecedente criminal, nem participa de organização criminosa e pratica esportes.
Também se sabe muito pouco sobre a mãe do jovem infrator. Ela possui em média 40 anos, ensino fundamental incompleto, reside sob o mesmo teto que o filho, trabalha como doméstica, com carteira assinada e ganha de dois a três salários mínimos. Vive com o companheiro. Não possui antecedente criminal e não participa de organização criminosa.
Com relação aos irmãos e irmãs do jovem infrator o que se depreende é que há uma desestruturação familiar mais forte do que no vínculo paterno e materno. Os jovens delinqüentes não souberam responder a maioria das questões sobre seus irmãos ou irmãs.
Nas questões sobre os amigos do jovem infrator o quadro de desinformação repete-se da mesma forma como encontrado no pai, na mãe e nos irmãos/irmãs. O que se sabe é que esses amigos têm entre 17 e18 anos, possuem o ensino fundamental incompleto, residem no mesmo bairro e estudam no mesmo colégio que o jovem infrator e tem como ocupação principal o estudo. Tem como atividade de laser reunir-se com os amigos.
A criminalidade em Caxias apresenta muitas peculiaridades relacionadas ao perfil do jovem infrator. Aqui na Serra Gaúcha não temos um quadro como nas grandes cidades do Brasil, nas quais os envolvidos no tráfico de drogas vêm de uma origem miserável. Aqui temos jovens que possuem uma renda familiar em média de R$1.500,00 a R$ 2.000,00. A partir daí surgem os questionamentos: “Como pode alguém que possui uma renda familiar nesse patamar envolver-se com a criminalidade?” Como resposta, temos uma conjuntura de fatores que vão desde a proximidade geográfica com o crime até as limitações impostas por um ensino sem qualidades.
“O que fica evidente é que esses jovens estavam morando no local errado por uma infelicidade do destino”, responde Kieling. Assim o que ocorria era que elas estavam muito próximos de más companhias o que, aliado a uma desestrutura familiar e as limitações que o ensino escolar que lhes era proporcionado mostrou-se decisivo no ingresso desses adolescentes na criminalidade. “A escola limita a vida de muitas pessoas. Elas têm sonhos, querem ser alguém na vida e o colégio na maioria das vezes acaba por limitar, por impedir a concretização desses sonhos”, conclui ele.
Muitos desses jovens iniciavam seu envolvimento com o tráfico de drogas como usuários. Isso explica porque os jovens de renda mais baixa eram preteridos em relação a esses garotos que possuíam uma renda mais alta: no tráfico de drogas é valorizado o consumidor que possui mais poder aquisitivo. Isso ocorre, pois além de poderem sustentar o próprio vício eles poderiam outros amigos com estabilidade financeira a comprar drogas.
Então como consumidores, os jovens mais abastados começaram no consumo, o que logo se tornou um vício que nem o dinheiro de suas famílias conseguia cobrir. Endividados, foram cooptados pelos traficantes para realizar “serviços” para saldar essa dívida. Em outras palavras matar um desafeto ou traficante rival do traficante para o qual eles deviam.
Outro dado que chama atenção é que vai para o Case quem é menor de idade e a maioria dos envolvidos em crimes do tráfico de drogas em Caxias são menores de idade. Isso se explica, pois se cria um sistema de proteção, no qual o menor de idade vai para uma instituição como o Case, onde ele é bem tratado, alimentado, possui oficinas profissionalizantes, cursos, enfim não é como um presídio, onde as visitas são restritas e a vida é dura. Ele comete o crime para proteger o amigo maior de idade, que geralmente é o traficante.
Contudo as coisas não são essas “mil maravilhas” e o jovem quando sai do Case está marcado por ter cometido um homicídio. Ele é descriminado no bairro onde sua família mora e discriminado na hora de conseguir emprego. A própria quadrilha que o cooptou não o quer mais, porque agora sua ficha está “suja”, o que facilita para a polícia chegar até o mandante do crime.
Tudo isso fica comprovado através de pesquisas realizadas pelo Prof. MSc. Charles Kieling, em parceria com a Faculdade da Serra Gaúcha (FSG). Elas foram feitas com o intuito de identificar os focos de violência em Caxias e achar uma solução para os mesmos.
O primeiro desses estudos é uma pesquisa desenvolvida com quarenta (40) adolescentes internos no Centro de Atendimento Sócio-Educativo de Caxias do Sul, no ano de 2005. “Trata-se uma análise quantitativa, através da qual se pode definir o perfil de quem vive a criminalidade em Caxias”, relata Kieling. Todos os jovens entrevistados cometeram homicídios relacionados com o tráfico de drogas.
Com base nos dados podemos definir o perfil desse jovem infrator como pertencente à etnia branca, solteiro, sem filhos, não participava de associação cultural, nem filantrópica. Possui casa própria, residia em bairro de classe baixa. É católico possuía renda mensal de um salário mínimo e trabalhava sem vinculo empregatício. É natural de Caxias do Sul. Cursava a 7ª série em alguma escola do bairro onde morava. Apresentava freqüência escolar, possui ensino fundamental incompleto. Atualmente sua idade é de 17 anos.
Sua idade na época do crime é de 15 anos. Ele estava acompanhado de um amigo maior, utilizou arma de fogo emprestada por um amigo, não conhecia a vítima e foi somente ele que planejou o ato infracional. Cometeu o crime na região central de Caxias. O delito foi cometido durante a noite, sem contato físico. Nenhum objeto material foi subtraído, sendo que o crime visava acertos pessoais. Não estava sob efeito de drogas, apesar de fumar cigarro e maconha desde os 13, 14 anos. Os pais ou responsáveis sabiam do vício.
O pai desse jovem infrator apresenta-se ausente da vida do filho. Isso fica evidente, pois a maioria das questões ou o jovem não sabia, ou não respondeu. O pouco que se sabe sobre o pai desse jovem é que ele possui o ensino fundamental incompleto, ganha de dois a três salários mínimos, vive com a companheira, não possui antecedente criminal, nem participa de organização criminosa e pratica esportes.
Também se sabe muito pouco sobre a mãe do jovem infrator. Ela possui em média 40 anos, ensino fundamental incompleto, reside sob o mesmo teto que o filho, trabalha como doméstica, com carteira assinada e ganha de dois a três salários mínimos. Vive com o companheiro. Não possui antecedente criminal e não participa de organização criminosa.
Com relação aos irmãos e irmãs do jovem infrator o que se depreende é que há uma desestruturação familiar mais forte do que no vínculo paterno e materno. Os jovens delinqüentes não souberam responder a maioria das questões sobre seus irmãos ou irmãs.
Nas questões sobre os amigos do jovem infrator o quadro de desinformação repete-se da mesma forma como encontrado no pai, na mãe e nos irmãos/irmãs. O que se sabe é que esses amigos têm entre 17 e18 anos, possuem o ensino fundamental incompleto, residem no mesmo bairro e estudam no mesmo colégio que o jovem infrator e tem como ocupação principal o estudo. Tem como atividade de laser reunir-se com os amigos.
A criminalidade em Caxias apresenta muitas peculiaridades relacionadas ao perfil do jovem infrator. Aqui na Serra Gaúcha não temos um quadro como nas grandes cidades do Brasil, nas quais os envolvidos no tráfico de drogas vêm de uma origem miserável. Aqui temos jovens que possuem uma renda familiar em média de R$1.500,00 a R$ 2.000,00. A partir daí surgem os questionamentos: “Como pode alguém que possui uma renda familiar nesse patamar envolver-se com a criminalidade?” Como resposta, temos uma conjuntura de fatores que vão desde a proximidade geográfica com o crime até as limitações impostas por um ensino sem qualidades.
“O que fica evidente é que esses jovens estavam morando no local errado por uma infelicidade do destino”, responde Kieling. Assim o que ocorria era que elas estavam muito próximos de más companhias o que, aliado a uma desestrutura familiar e as limitações que o ensino escolar que lhes era proporcionado mostrou-se decisivo no ingresso desses adolescentes na criminalidade. “A escola limita a vida de muitas pessoas. Elas têm sonhos, querem ser alguém na vida e o colégio na maioria das vezes acaba por limitar, por impedir a concretização desses sonhos”, conclui ele.
Muitos desses jovens iniciavam seu envolvimento com o tráfico de drogas como usuários. Isso explica porque os jovens de renda mais baixa eram preteridos em relação a esses garotos que possuíam uma renda mais alta: no tráfico de drogas é valorizado o consumidor que possui mais poder aquisitivo. Isso ocorre, pois além de poderem sustentar o próprio vício eles poderiam outros amigos com estabilidade financeira a comprar drogas.
Então como consumidores, os jovens mais abastados começaram no consumo, o que logo se tornou um vício que nem o dinheiro de suas famílias conseguia cobrir. Endividados, foram cooptados pelos traficantes para realizar “serviços” para saldar essa dívida. Em outras palavras matar um desafeto ou traficante rival do traficante para o qual eles deviam.
Outro dado que chama atenção é que vai para o Case quem é menor de idade e a maioria dos envolvidos em crimes do tráfico de drogas em Caxias são menores de idade. Isso se explica, pois se cria um sistema de proteção, no qual o menor de idade vai para uma instituição como o Case, onde ele é bem tratado, alimentado, possui oficinas profissionalizantes, cursos, enfim não é como um presídio, onde as visitas são restritas e a vida é dura. Ele comete o crime para proteger o amigo maior de idade, que geralmente é o traficante.
Contudo as coisas não são essas “mil maravilhas” e o jovem quando sai do Case está marcado por ter cometido um homicídio. Ele é descriminado no bairro onde sua família mora e discriminado na hora de conseguir emprego. A própria quadrilha que o cooptou não o quer mais, porque agora sua ficha está “suja”, o que facilita para a polícia chegar até o mandante do crime.
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