O que vou publicar a seguir é uma matéria que será veiculada em partes, por ser muito grande. Trata-se de uma reportagem que eu fiz com o Dr. Charles Kieling, cientista social, sobre a realidade sócio-econômica em Caxias do Sul. Infelizmente ela não foi publicada na Caros Amigos como eu havia planejado. Já que isso não ocorreu, vou postá-la aqui no blog. Aproveitem, que vale a pena. Essa é a primeira parte:
A FESTA É DA UVA, MAS A DANÇA É DE MATAR
Um retrato de quem vive e quem vê a violência na cidade de Caxias do Sul e as soluções para resolver esse problema
No município de Caxias do Sul, a segunda maior cidade do estado do Rio Grande do Sul, conhecida no Brasil todo pela Festa da Uva, existe uma triste realidade por trás de tanta riqueza e belezas naturais. É que aqui em Caxias reproduz-se a mesma situação socioeconômica encontrada nos grandes centros urbanos do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre - e do mundo – Los Angeles, Nova Iorque, Londres e Paris. Não uma realidade bela, mas sim de injustiça social e violência. “Trata-se de uma cidade muito rica, onde circula muito dinheiro e o que vem junto com esse dinheiro são armas, drogas e prostituição”, explica o Cientista Social Charles Kieling.
Antes de entrar em contato com as pesquisas que compõem essa matéria, eu acreditava que Caxias estivesse longe dessa realidade horrenda, já que com a colonização italiana realizou-se um processo de reforma agrária nunca antes feito em outras regiões do Brasil. Reforma agrária, não somente em Caxias, mas, realizada em todo o Rio Grande do Sul pela monarquia brasileira. Contudo acabei por descobrir o contrário.
De acordo com o pesquisador e historiador Luís Mir, autor do livro Guerra Civil – Estado e Trauma, entende-se por Guerra Civil como: “Não é um conflito cultural. A guerra civil é um enfrentamento étnico e econômico, como as suas conseqüências.” Infelizmente é essa a situação que vivenciamos em Caxias do Sul. Descobri que se trata de um território balcanizado (dividido para conquistar), a exemplo do que Luís Mir cita que ocorre nas grandes cidades brasileiras, no qual as camadas baixas da população são confinadas em guetos, cercados por indústrias, distantes da área central da cidade e dos bairros habitados pela elite. É ali nesses guetos que as populações pobres acabam por promover um morticínio entre eles mesmos, seja através de brigas de gangues ou disputas pelo tráfico de drogas. Ou seja, um conflito não somente étnico e econômico, mas de causas geográficas, pois eles atacam quem está mais próximo.
“A Guerra nossa é promovida pelas elites, pela burguesia, aonde os próprios traficantes vão se combater e aí a polícia entra para prejudicar determinado cenário econômico, por que quando ela sobe o morro, por exemplo, no Rio de Janeiro ela prejudica o comércio daquele morro; e ajuda o comércio de outro morro”, Kieling exemplificando como funciona a balcanização. E continua: “Quando a elite diz que vai investir em mais segurança, ela acaba por dar meios para que a brigada militar possa subir o morro e acabar com a boca de fumo. Assim acaba forçando o traficante a investir em mais armamentos para se proteger, aumentando mais o ciclo de violência”, conclui ele.
No município de Caxias do Sul, a segunda maior cidade do estado do Rio Grande do Sul, conhecida no Brasil todo pela Festa da Uva, existe uma triste realidade por trás de tanta riqueza e belezas naturais. É que aqui em Caxias reproduz-se a mesma situação socioeconômica encontrada nos grandes centros urbanos do Brasil – São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre - e do mundo – Los Angeles, Nova Iorque, Londres e Paris. Não uma realidade bela, mas sim de injustiça social e violência. “Trata-se de uma cidade muito rica, onde circula muito dinheiro e o que vem junto com esse dinheiro são armas, drogas e prostituição”, explica o Cientista Social Charles Kieling.
Antes de entrar em contato com as pesquisas que compõem essa matéria, eu acreditava que Caxias estivesse longe dessa realidade horrenda, já que com a colonização italiana realizou-se um processo de reforma agrária nunca antes feito em outras regiões do Brasil. Reforma agrária, não somente em Caxias, mas, realizada em todo o Rio Grande do Sul pela monarquia brasileira. Contudo acabei por descobrir o contrário.
De acordo com o pesquisador e historiador Luís Mir, autor do livro Guerra Civil – Estado e Trauma, entende-se por Guerra Civil como: “Não é um conflito cultural. A guerra civil é um enfrentamento étnico e econômico, como as suas conseqüências.” Infelizmente é essa a situação que vivenciamos em Caxias do Sul. Descobri que se trata de um território balcanizado (dividido para conquistar), a exemplo do que Luís Mir cita que ocorre nas grandes cidades brasileiras, no qual as camadas baixas da população são confinadas em guetos, cercados por indústrias, distantes da área central da cidade e dos bairros habitados pela elite. É ali nesses guetos que as populações pobres acabam por promover um morticínio entre eles mesmos, seja através de brigas de gangues ou disputas pelo tráfico de drogas. Ou seja, um conflito não somente étnico e econômico, mas de causas geográficas, pois eles atacam quem está mais próximo.
“A Guerra nossa é promovida pelas elites, pela burguesia, aonde os próprios traficantes vão se combater e aí a polícia entra para prejudicar determinado cenário econômico, por que quando ela sobe o morro, por exemplo, no Rio de Janeiro ela prejudica o comércio daquele morro; e ajuda o comércio de outro morro”, Kieling exemplificando como funciona a balcanização. E continua: “Quando a elite diz que vai investir em mais segurança, ela acaba por dar meios para que a brigada militar possa subir o morro e acabar com a boca de fumo. Assim acaba forçando o traficante a investir em mais armamentos para se proteger, aumentando mais o ciclo de violência”, conclui ele.
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