quinta-feira, 5 de março de 2009

A REALIDADE EM CAXIAS DO SUL 2

Aqui vai a segunda parte da matéria feita com o Dr. Charles Kieling sobre a Guerra Civil em Caxias do Sul:
VEJA O SEU DINHEIRO ELE É SUJO IGUAL O MEU, NA CONTABILIDADE NOSSO SONHO SE PERDEU

O rico que financia esse comércio todo, não se compromete com os negócios envolvendo drogas, armas e prostituição de luxo. “Ele não busca o produto na fonte para não se com prometer. Ele tem outras pessoas que vão fazer esse trabalho para ele. Por isso é muito difícil de a polícia chegar nesse megaempresário”, explica Charles. Para ilustrar melhor a situação ele dá um exemplo: “Eu quero meninas bonitas, loiras de determinada idade. Aonde eu vou? Eu vou nessas casas noturnas de fachada. Vou beber e lá vai ter um book com as fotos das mulheres que eu quero”, conta Kieling.
Contudo a versão oficial de porque o empresário vai até essa casa noturna é outra. “Eu não estou indo lá para cometer o ilícito, estou indo para me divertir, tomar uma bebida, comer um tira gosto”, finaliza ele. Com isso temos como resultado a lavagem de dinheiro que serve para acobertar o ilícito do processo. Na contabilidade dessa casa noturna aparece uma dose de whisky R$100,00, uma garrafa de whisky R$ 1.000,00. Foi isso que o cliente consumiu oficialmente. Porém, lendo nas entrelinhas, fica claro que ninguém agüenta beber uma garrafa inteira de whisky, ou mais, como costuma ser contabilizado. O que ele consumiu na verdade foi o programa com uma garota ou drogas como cocaína e ecstasy, contudo isso não pode constar na contabilidade, pois é ilegal. O que se faz então? Colocam-se os valores como correspondentes ao consumo de algo legalizado, como o whisky.
Outro exemplo de negócio de fachada que serve para lavar dinheiro é a construção civil. “Na década de 90, o Brasil passou por um problema na construção civil que estava em crise. Detalhe em Caxias do Sul a construção civil continuava a mil. Não teve problema nenhum com a economia de Caxias, continuava muito bem obrigado. Porque isso? Por que existia uma forma de contabilizar esse dinheiro. A isso damos o nome de lavagem de dinheiro, ou caixa 2, 3, 4”, explica Charles.
Mas e porque em uma casa noturna, que serve de fachada? “Porque é mais seguro para o rico consumir esse tipo de produto em uma casa noturna, em um restaurante, do que ir até uma favela para obter, onde ele pode ser preso pela polícia”, responde ele.
No final da década de 90 foi criada a CPMF, e o que pouca gente sabe é que esse imposto persegue todas as economias que um individuo faz. “Muitos empresários estão caindo na malha fina, porque eles registram um determinado valor no imposto de renda, e a CPMF rastreia outros valores que não foram registrados na declaração do imposto de renda”, explica Kieling.
Outro tipo de situação que ocorre em Caxias é em relação ao contrabando de armas de fogo. Já existe na cidade, locais onde você pode alugar armas para assaltar um banco. “Tu alugas um fuzil ou metralhadora, assalta o banco e depois tu paga o aluguel da arma com uma porcentagem daquilo que tu conseguiu roubar”, relata Charles.

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